"...parecia recém-falecido, já que seu traje fúnebre ainda não estava totalmente descorado nem seus olhos se mostravam pulverizados..."
Acordei para a vida e comecei a relacionar os fatos. Um dia antes da morte de meu avô, eu estava lá em sua casa, pintando uns personagens da turma da Mônica para lhe dar na minha maior forma de carinho e afeto. Voltei para casa e descansei.
Acordei com a minha avó materna sentada no sofá brincando com os dedos e os pés que mal alcançavam o chão. Abri aquele sorriso e nem me questionei, afinal, eu era uma criança. Assim que eu escutei aquele barulho de morte do estalo da maçaneta em uma porta de madeira velha fiquei agonizado, eram meus pais. Perguntei:
- Mãe, é isso que eu estou pensando?
- Sim. Me deu um abraço forte.
Acordei para a vida onde os avós, além de pessoas simples porém fantásticas, servem como um desafio para você criança que dorme. Normalmente são os primeiros a falecer, e também são os primeiros a te dar banho. Consequentemente os primeiros a fazer te amadurecer.
Acordei sete anos depois, desci as escadas e dei um abraço na minha mãe fumante. Relaxei e fui ler um livro que foi rapidamente interrompido por um pensamento frio. Se eu der tanto carinho e afeição à alguém que eu goste muito, estaria eu fixando o último de seus belos dias?
Acordei com a resposta. Não quero mais dar abraços, não quero mais dar minhas pinturas da mônica, eu apenas quero você aqui.
kaio
20:34 28/09
pingos caem
não do céu nem
da torneira.