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sexta-feira, 30 de julho de 2010

fósforo, latão, álcool. lembra? apagou?




Abri o meu baú dourado com fitas vermelhas. Aquele baú das coisas que
deveriam, ou pretendiam ser esquecidas, aquele baú onde você futuramente pretendia queimar todas essas lembranças e se desprender do passado, porém, por falta de coragem, ficou intocado, esquecido, apagado embaixo de sete caixas com roupas de bebê no fundo do porão com lindas teias de aranha. Decidi ver o que tinha por lá e pensei: por que ter medo do seu próprio passado? Se foi ele que te fez o que é hoje. Esquecer do passado não é apenas desgrudar da sua mente e jogar em uma penseira. Esquecer do passado, do baú, é simplesmente parar de existir.
virar pó que da dó, estourar e se espalhar na imensidão que cai sobre nós.

Revi conceitos, desenhos, abstrações, potes com insetos, e bizarrices que saem quando está na mesa comigo autismo.
Parei.
Olhei para o lado e vi que tinha uma caixinha - talvez um futuro grande baú - com uma grande faixa vermelha e azul, escrito: AÇEUQSE. Abri. Entendi.
Tinha pensamentos, opiniões, expressões que não devem ser jogadas para o mundo, que devem ser guardadas em seu subconsciente, e morrer ali, esquecida. Fiz diferente. Coloquei em uma caixinha. Porque, afinal, esquecer não é o simples fato de desgrudar da sua mente e jogar em uma penseira. Refleti. Decidi.
Muita gente discorda do que concluo, do que penso. Se eu não batalhar contra a correnteza, e ter minhas próprias escolhas odiáveis, inaceitáveis, coerentes, talvez meu fim seria no porão, com uma pequena televisão preto e branco, assistindo vídeos vhs de quando eu era criança e fazia apenas coisas bonitas, e inocentes.Ninguém questionava.
Buá.


kaio
30/07
21:52
retome com o blog.
fixe seus pensamentos.
não os esqueça.